Ministro Gilmar Mendes é investigado pela Receita

Apuração tem como base "possíveis fraudes de corrupção"; esposa também é investigada

A Receita Federal abriu procedimento para investigar “possíveis fraudes de corrupção, lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio ou tráfico de influência” envolvendo o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes.

A análise fiscal alcança também a mulher de Gilmar Mendes , a advogada Guiomar Mendes, e é conduzida pela Equipe Especial de Fraudes da Receita. A informação foi divulgada nesta sexta-feira (8) pela coluna Radar, da revista Veja.

Segundo a publicação, o procedimento teve início após um relatório de maio do ano passado apontar variação, no ano de 2015, de R$ 696 mil no patrimônio de Guiomar sem que houvesse explicação para tanto. Esse relatório concluiu que havia ali “indícios de lavagem de dinheiro”.

À coluna da Veja , Guiomar Mendes se disse “dominada por profunda perplexidade e indignação” por conta da investigação e assegurou que sua atuação profissional “sempre se pautou pelo respeito às instituições e àqueles que as integram e pela observância aos valores éticos e morais inerentes ao exercício da advocacia”.

“Não bastassem as minhas palavras, coloco à sua disposição as Reuniões de Contas do escritório que me dizem respeito, com a devida relação dos processos em que atuei e respectivos valores recebidos, bem como movimentação bancária e declarações de rendimentos apresentadas junto à Receita Federal com discriminação detalhada de bens e valores absolutamente compatíveis com os ganhos que obtive”, declarou a advogada.

Gilmar também reagiu à abertura do procedimento investigatório. O ministro do STF peticionou à Procuradoria-Geral da República (PGR) e à própria Receita para manifestar seu “estranhamento” e “pronto repúdio” ao que classificou como “abuso de poder por agentes públicos para fins escusos, concretizado por meio de uma estratégia deliberada de ataque reputacional a alvos pré-determinados”.

“Tal estratégia revela-se clara no presente caso, em que ilações desprovidas de qualquer substrato fático são feitas não apenas em relação a minha pessoa, mas em relação a todo o Poder Judiciário nacional”, disse o magistrado.

De acordo com a jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo , Gilmar Mendes também cobrou “providências urgentes” do presidente do Supremo, ministro Dias Toffoli, para apurar a ação dos auditores fiscais que deram início à investigação “sem nenhum fato concreto” a justificá-la. A reportagem do iG solicitou posicionamento à assessoria de Gilmar, mas não obteve retorno até o momento.

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