“Só eu nasci ruivo na família”, afirmou o estudante de medicina à Folha de S. Paulo, que divulgou o caso ontem. “Em minha parte, não há nada ilegal, fiz tudo baseado no edital, já esclareci à universidade. Não tenho o que temer disso aí”. Para ele, a questão deste caso diz respeito a como a pessoa se vê em sua comunidade.

A Uebs afirmou, por meio de nota, que “um processo administrativo está em andamento para apurar o caso, no qual os interessados já foram ouvidos e a denúncia está sob análise da Procuradoria jurídica”. 

Para evitar situações como essa, as universidades federais de Minas Gerais e da Bahia (UFMG e UFBA) instauraram bancas para realizar a averiguação presencial das autodeclarações. Dessa forma, as instituições verificam se os candidatos realmente têm direito à cota ou se estão tentando fraudar o sistema.

O objetivo das cotas é dar mais oportunidades para que pretos e pardos ingressem no ensino superior . Nesse modelo, é verificado a aparência do candidato e não sua descendência familiar.

A pró-reitora de ações afirmativas e assistência estudantil da UFBA Cassia Virginia Maciel  UFBA afirmou que “a verificação é pelo caráter fenotípico, não é ascendência”.  A questão do racismo focado no fenótipo é mais forte do que o racismo baseado em origem ou outros elementos, como religião e cultura, segundo Maciel.

Desde que implantou esse modelo de verificação das cotas raciais , a universidade já desqualificou 42 candidatos que haviam se autodeclarados negros, mas, segundo a instituição, não apresentavam “traços fenotípicos que o identifica como sendo uma pessoa negra na sociedade brasileira.”