Ensino superior privado investe R$ 678 mi a menos em 2017

Após reagir em 2016, o investimento das instituições privadas de ensino superior ficou praticamente estagnado em valores nominais daquele ano para 2017. Contando a inflação do período, de 3,26%, é observada queda.

Foram R$ 16,4 bilhões investidos pelas instituições privadas em 2017, ante R$ 16,6 bilhões em 2016. Com o ajuste da inflação, a cifra mais antiga chega a R$ 17,1bilhões. O recuou foi de quase R$ 678 milhões.

Os números foram extraídos dos microdados do Censo da Educação Superior, realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), vinculado ao Ministério da Educação.

O levantamento compila informações prestadas pelas instituições. Para corrigir os valores de acordo com a inflação, o Terra usou o IPCA, considerando o último mês de cada ano. Os percentuais estão disponíveis no site do Banco Central.

De 2010 a 2013, o investimento declarado das entidades privadas teve trajetória de alta e, em 2014, se estabilizou. Saiu de cerca de R$ 12 bilhões para estacionar na casa dos R$ 20 bilhões em 2013 e 2014. Os valores foram corrigidos pela inflação de cada ano até 2017.

Depois, a cifra não atingiu mais esse patamar, tendo em 2015 a marca mais baixa do período, 16,0 bilhões. No ano passado, foram R$ 16,4 bilhões, um pouco acima da mínima registrada. Sempre de acordo com os microdados do Censo da Educação Superior.

Investimento total
O investimento total declarado das instituições, incluindo a rede pública e as entidades com categoria administrativa “especial”, na classificação divulgada pelo Inep, começou a cair em 2013, um ano antes do privado. Foi puxado pelo início da contenção de gastos dos governos federal, estaduais e dos municípios.

O auge havia sido em 2012, com R$ 42,5 bilhões de investimento total. Passou para R$ 29,3 bilhões no ano seguinte. O patamar mais baixo foi em 2015, R$ 20,6 bilhões, e em 2017 a cifra ficou em R$ 23,2 bilhões.

No período incluído no levantamento, a participação das instituições públicas de ensino superior no investimento total bateu em 59% em 2012. Já no ano seguinte, passou para a casa dos 30%, chegou a 22% em 2014 e 2015 e nos últimos dois anos ficou em cerca de 29%. As instituições particulares são responsáveis, atualmente, por aproximadamente 71%.

Entidades “especiais”
Além das instituições públicas e privadas com e sem fins lucrativos, há as entidades com categoria administrativa “especial”. São instituições de ensino superior não gratuito criadas por estados ou municípios antes de 1988.

Promulgada naquele ano, a Constituição veda a cobrança pela educação universitária pública, mas abriu uma exceção para que essas entidades continuassem funcionando. A Uni-FACEF, em Franca, no Interior de São Paulo, é um exemplo.

Constam apenas 10 instituições deste tipo nos microdados do Inep. Somadas, elas têm investimento pouco significativo em meio aos bilhões citados na reportagem. Foram declarados R$ 13,3 milhões em 2017.

Terra

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