Gleisi ataca Bolsonaro e vai à posse de Maduro na Venezuela

Reeleição do presidente venezuelano não foi reconhecida pelo Brasil e por diversos outros países

A presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), deputada federal eleita Gleisi Hoffmann, foi a Caracas para acompanhar a cerimônia de posse de Nicolás Maduro para seu segundo mandato como presidente da Venezuela. O evento ocorreu ontem e não contou com a presença de nenhum representante oficial do governo brasileiro.

Em nota divulgada pelo PT, Gleisi Hoffmann explica seu gesto afirmando que seu partido “reconhece o voto popular” que reelegeu Maduro “conforme as regras constitucionais vigentes, enfrentando candidaturas legítimas da oposição democrática”.

O entendimento da petista contraria o de oposicionistas do governo chavista na Venezuela, que alegaram ter havido fraude e uso do aparato do Estado por parte de Maduro para se garantir no poder por mais um mandato, que vai até 2025. A reeleição do presidente não foi reconhecida por diversos países, dentre eles os Estados Unidos, o Canadá e os 13 integrantes do Grupo Lima, que inclui o Brasil.

“Estarei em Caracas para deixar claro que não concordamos com a política intervencionista e golpista incentivada pelos Estados Unidos, com a adesão do atual governo brasileiro e outros governos reacionários. […] É inaceitável que se vire as costas ou se tente tirar proveito político quando uma nação enfrenta dificuldades. […] Impor castigos ideológicos aos venezuelanos também resultará em graves problemas imigratórios, comerciais e financeiros para os brasileiros”, explicou Gleisi.

A presidente nacional do PT também disse que seu gesto visa manifestar que o governo de Jair Bolsonaro (PSL) “tem forte oposição no Brasil”. Gleisi condena o que chamou de “posição agressiva do governo Bolsonaro contra a Venezuela” e diz que essa postura “contraria nossa tradição diplomática”.

Bolsonaro e seu ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, são críticos ferrenhos do regime de Nicolás Maduro na Venezuela, que nos últimos anos tem enfrentado escalada da pobreza, violência e do desemprego, além da alta inflação e falta de insumos básicos. Em novembro, ainda antes de tomar posse, Bolsonaro disse que, caso pudesse, “já teria tomado providências contra a Venezuela há muito tempo”.

A posição de Gleisi e do PT em relação ao governo de Maduro trouxe problemas para a campanha de Fernando Haddad nas eleições de 2018. O então candidato sofreu diversos ataques por parte de seus adversários e foi questionado sobre sua posição pessoal quanto ao tema.

Em entrevista ao Jornal da Globo, em setembro, Haddad concordou que a Venezuela “não vive um processo de normalidade” e ponderou que, embora o PT veja o país como um “exemplo de democracia”, o governo brasileiro deve reconhecer “que as coisas não andam bem por lá”.

A visita a Caracas nesta quinta-feira e a nota do PT citando o “exemplo de democracia” não foram as primeiras demonstrações de estima de Gleisi Hoffmann ao regime chavista. Ainda em 2017, durante encontro do Foro de São Paulo, a petista manifestou “apoio e solidariedade” a Maduro frente ao que chamou de “violenta ofensiva da direita contra o governo”.

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