João Doria a Jair Bolsonaro: “cuide mais do seu País”

Governador de São Paulo lembrou ao presidente que o Brasil tem muitos problemas graves

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), que vinha tentando nos últimos dias não reagir aos ataques de Jair Bolsonaro contra ele, resolveu contra-atacar as declarações do presidente. O tucano rebateu na manhã desta quinta-feira a ofensa do presidente à ex-presidente do Chile, Michele Bachelet, e pediu para que Bolsonaro se preocupe mais em cuidar do Brasil ao invés de criar confusões internacionais. As declarações foram repudiadas por políticos chilenos nesta quarta.

O governador de São Paulo, João Doria durante encontro com o presidente Jair Bolsonaro (Foto: Redes Sociais)

“Tomo a liberdade de sugerir ao Presidente: cuide mais do seu país, mais de seu povo. Menos briga, menos confusão, menos agressões. Invista seu tempo cuidando de seu povo, de seu país. Temos 13 milhões de desempregados, 7 milhões de subempregados. 60 milhões votaram no presidente na esperança dele mudar o país. Continuo acreditando que ele pode fazer isso”, afirmou Doria .

Em razão das discussões com a ex-presidente do Chile, e com Emmanuel Macron, presidente da França, o Itamaraty monitora possibilidade de chefes de Estado boicotarem o discurso de Bolsonaro nas Nações Unidas.

O presidente chileno Sebastián Piñera, aliado de Bolsonaro e adversário de Bachelet no Chile, também repudiou a declaração do presidente.

Doria já tinha repudiado declarações do presidente quando Bolsonaro atacou o presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, pela morte de seu pai na ditadura, insinuando que saberia como o militante morrera.

Bachelet, que hoje ocupa o cargo de alta comissária de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas, afirmou na terça-feira que ocorre uma “redução do espaço cívico e democrático” para ativistas de direitos humanos.

Em resposta, Bolsonaro afirmou nas redes sociais que, ao afirmar que o Brasil perde espaço democrático, a ex-presidente do Chile se esquece que “seu país só não é uma Cuba graças aos que tiveram a coragem de dar um basta à esquerda em 1973, entre esses comunistas o seu pai brigadeiro à época”.

Para Doria, as declarações de Bolsonaro foram uma indelicadeza: “Não se faz isso com ninguém, ainda mais com uma ex-presidente da República e que hoje representa o Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU. Uma indelicadeza, acho que (Bolsonaro) pode compreender, talvez pedir desculpas. Entendo que não foi um gesto bom, tanto que foi condenado pela opinião pública no Chile, tanto os de direita quanto os de esquerda”.

O pai de Bachelet, Alberto Bachelet Martinez era um general de brigada da Força Aérea do Chile e se opôs ao golpe de 1973 que derrubou o presidente socialista Salvador Allende. Ele foi preso e torturado pela ditadura do general Augusto Pinochet e morreu de infarto na Prisão Pública de Santiago, aos 50 anos, em 1974. Em 2014, dois ex-militares foram condenados pela tortura e morte de Alberto Bachelet.

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