Políticos derrotados ganham cargos bem remunerados em Brasília

Amigos eleitos garantem boquinha aos que foram rejeitados pelas urnas

Na semana passada, o ex-deputado Amauri Teixeira (PT-BA) estava sentando na primeira fila, reservada aos parlamentares, na Comissão de Minas e Energia da Câmara. Derrotado nas eleições de 2014, ele desistiu de se candidatar em 2018, mas não desapegou da vida nos corredores do Congresso. Teixeira foi nomeado para cargo de confiança no gabinete do quarto suplente da Mesa Diretora da Câmara, Assis Carvalho (PT-PI).

Ex-vice governador do Distrito Federal, Tadeu Filipelli (MDB) não conseguiu repetir o desempenho nas  eleições de outros anos — como 2006, quando foi o deputado federal mais votado no DF — e foi derrotado no ano passado. Investigado e já preso temporariamente em uma fase da Lava-Jato, o emedebista não ficou sem emprego. Foi nomeado funcionário da liderança do partido, com salário de R$ 13,9 mil.

A ex-governadora do Distrito Federal Maria de Lourdes Abadia (PSB) também não conquistou votos suficientes para se eleger deputada federal. Ela também perdeu o emprego como secretária de Rodrigo Rollemberg (PSB), que não conseguiu a reeleição para governador do Distrito Federal.

Maria de Lourdes foi nomeada, na semana passada, para cargo na quarta suplência da Mesa do Senado, ocupada por sua correligionária Leila do Vôlei (DF). A ex-governadora é agora auxiliar parlamentar do pleno, com salário líquido de R$ 7,9 mil, já considerando o auxílio-alimentação de R$ 982,00.

Já Rollemberg é funcionário de carreira do Senado e voltou para o posto, mas com um cargo de confiança que aumentou o salário que receberia normalmente. Pela função, na liderança de seu partido no Senado, ganha R$ 5.762,32 a mais. Com descontos, seu salário do último mês foi de R$ 22.621,50, mais do que os R$ 18,9 mil que recebia como governador.

Outro caso é o da ex-senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), que não conseguiu ser reeleita e agora dá expediente no gabinete da deputada Perpétua Almeida (AC), sua correligionária. Seu salário, de secretária parlamentar, é de R$ 11,7 mil líquidos.

Ex-senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB) segue trabalhando no Congresso (Foto: Marcelo Oliveira)

Reforço na articulação.

Já na transição, o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, anunciou que escalaria um time de ex-deputados para ajudá-lo na articulação do governo com o Congresso. Um time de derrotados.

No guarda-chuva da Casa Civil está Carlos Manato (PSL-ES), que, com salário bruto de R$ 16,9 mil, chefia a secretaria que cuida do relacionamento com a Câmara. Na mesma pasta e com o mesmo salário, estão os ex-deputados Victório Galli (PSL-MT), Marcelo Delaroli (PR-RJ) e Abelardo Lupion (DEM-PR). O último não disputou a eleição de 2018. Para o relacionamento com o Senado, foi nomeado o ex-senador Paulo Bauer (PSDB-SC), com o mesmo salário.

Outros ex-deputados também ganharam postos pela Esplanada, caso de Valdir Colatto (MDB-SC), com salário de R$ 16,9 mil. A nomeação como diretor do Serviço Florestal Brasileiro causou polêmica. Ele já foi presidente da Frente Parlamentar Agropecuária do Congresso — a bancada ruralista — e já fez críticas ao percentual de terra que deve ser preservado por fazendeiros. O órgão que assumiu era vinculado ao Ministério do Meio Ambiente. Na gestão Bolsonaro, passou para a pasta da Agricultura.

Não são apenas os ex-parlamentares com cargos que circulam pelo Congresso. O ex-senador Mauro Benevides (MDB-CE) sofre do mesmo apego. Na legislatura passada, mesmo durante o período em que era suplente e não tinha mandato (depois veio a assumir o lugar do colega Aníbal Gomes, que adoeceu), vagava pelos corredores da Câmara com seu antigo broche de deputado, discursando para quem quisesse ouvir. Em geral, o público era bastante restrito. Hoje, apesar da presença constante, ele não tem emprego no Congresso.

O ex-senador Hélio José (Pros-DF) também não se reelegeu. Ele está à procura de uma vaga no gabinete de algum colega. Enquanto isso não acontece, comparece a todas as sessões do plenário, senta-se na cadeira que foi sua, dá palpite aos colegas, articula — ou seja, age como se ainda fosse senador. Só não vota.

O ex-deputado Pauderney Avelino (DEM-AM), aliado de primeira hora do ex-presidente Michel Temer, também não foi reeleito, mas tem sido visto em gabinetes da Esplanada tratando da reforma da Previdência. Disse que não tem cargo e negou qualquer pretensão de ser nomeado para um posto em Brasília.

“Não estou fazendo nada, só conversando com um ou com outro. Meu desejo é que o governo acerte, independente das eleições, que o Congresso vote e que nós tenhamos reforma da Previdência”, resumiu.

Fonte: Último Segundo

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