Cassems causa insegurança aos servidores ao romper contrato com médicos

Instituição teria contratado otorrinos de outros Estados e em número insuficiente para atender a demanda

A decisão da Cassems de romper de maneira unilateral o contrato com a Cooperativa dos Otorrinolaringologistas de Mato Grosso do Sul continua gerando dúvidas e levando insegurança aos mais de 50 mil beneficiários e dependentes da Caixa em todo o Estado, os quais a partir do dia 21 de agosto enfrentarão sensível redução na oferta de serviços. Alguns aspectos importantes a respeito do rompimento entre a instituição e os médicos ainda continuam obscuros.

médico Ricardo Ayache, presidente da Cassems (Foto: Divulgação)

O anúncio sobre a rescisão do contrato foi feito à direção da cooperativa no instante em que as partes ainda estavam em negociação. “O descredenciamento ocorreu de forma unilateral, no momento em que os cooperados tentaram por diversas vezes pactuar a renovação do contrato, com a redução de valores”, se manifestaram os médicos por meio de nota assinada pelo presidente da cooperativa, Edil Albuquerque Junior.

Chama a atenção o fato de que foi justamente para promover a redução de custos que, segundo o presidente da Caixa, Ricardo Ayache, o contrato foi rompido. Ele esclareceu que o desembolso subiu de R$ 500.000,00 para R$ 1.100.000,00, com a mesma quantidade de procedimentos realizados mensalmente.

Estrutura – Por meio do contrato com a cooperativa, até o dia 21 de agosto os usuários da Cassems contarão com o atendimento feito em consultório ou clínicas particulares por 53 médicos, todos residentes em Mato Grosso do Sul e cuja ampla maioria, em um total de 45 profissionais, é graduada há mais de 20 anos. A partir do dia 22, as consultas e procedimentos passam a ser realizadas  nas unidades da Caixa.

O Vox MS encaminhou na manhã da última quarta-feira e-mail à assessoria de imprensa da Cassems indagando o número de profissionais que passarão a atender os servidores púbicos e seus familiares após o fim do contrato com a cooperativa, mas até o fechamento desta matéria não obteve nenhuma resposta.

Informações de alguns médicos dão conta de que a Caixa teria firmado contrato com uma empresa intermediadora de serviços, a qual seria a responsável pela contratação de pouco mais de sete profissionais residentes em outros Estados que passarão a partir do dia 21 atender os mais de 50 mil beneficiários da Caixa. Caso essa informação se confirme – uma das indagações feitas pela reportagem –, as chances deste modelo não dar certo são consideráveis.

Um dos novos médicos contratados, Felipe Loureiro Damasceno Rocha, reside no município de Jataí, Estado de Goiás. (Confira em www.helpsaude.com/Felipe-Loureiro-Damasceno-Rocha.MG)

Números – “Em média, por ano os profissionais realizam, entre consultas, exames e cirurgias, 80 mil atendimentos. Só em 2018 foram realizadas, em média, 2.680 consultas por mês, sendo 1.180 a mais que o número divulgado pela Cassems”, noticiou, em nota, a direção da cooperativa.

No que diz respeito às consultas, para atingir o número mensal de 2.680, cada um dos 53 cooperados teria que realizar pouco mais de 50 procedimentos por mês. A se manter essa média, que é a demanda real dos beneficiários, cada um dos sete novos médicos contratados terá que realizar mais de 380 consultas por mês, o que vai inviabilizar não apenas o atendimento, mas também as consultas de retorno.

Enquanto o atendimento continuar sendo feito pelos profissionais da cooperativa, os beneficiários da Caixa não sentirão nenhuma alteração na rota de atendimento. A expectativa é com relação a partir de 22 de agosto, quando entra em vigor o modelo centralizado de atendimento implementando pela direção da instituição.

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