Mesmo com lucro recorde, Energisa quer dar 4,77% de reajuste a trabalhadores
15, dezembro 2020 . 18:09

Mesmo com lucro recorde, Energisa quer dar 4,77% de reajuste a trabalhadores

Enquanto milhares de empresas faliram na pandemia, concessionária aumentou faturamento

Mesmo com a redução de custos e faturamento recorde em 2020, com lucro líquido de R$ 128,5 milhões apenas no terceiro trimestre deste ano, a Energisa continua insistindo na decisão de conceder apenas 4,77% de reajuste salarial aos seus colaboradores. A queda de braço com os eletricitários poderá levá-los a deflagrar greve geral caso o impasse não seja superado.

De acordo com relatório financeiro divulgado pelo grupo Energisa no dia 12 de novembro, em nível nacional a empresa registrou lucro líquido de R$ 921,7 milhões no terceiro trimestre de 2020, crescimento de R$ 867,8 milhões contra R$ 53,9 milhões registrados no mesmo período do ano passado.

Energisa teve lucro recorde no último trimestre deste ano (Foto: Divulgação)

Isso representa um aumento de 1.609,6% do lucro no período. Já a unidade de Mato Grosso do Sul teve lucro líquido de R$ 128,5 milhões, o que a coloca entre as empresas com maiores resultados financeiros do grupo Energisa. O montante representa aumento de 90,9% em relação ao mesmo período do ano passado, quando o lucro da empresa foi de R$ 67,3 milhões.

Proposta indecente

A alta no faturamento ocorre no período em que a atividade econômica sofre profunda retração em todo o mundo em função da pandemia do novo coronavírus. Ao mesmo tempo em que milhares de empresas sucumbiram à crise e fecharam as portas, a Energisa e seus acionistas comemoram a sensível ampliação de sua lucratividade.

Apesar disso, a Energisa pretende premiar os seus colaboradores com apenas 4,77% de reajuste salarial – para repor as perdas da inflação –, e mesmo assim o índice seria parcelado em duas vezes: 2,36% em dezembro deste ano e 2,36% em junho de 2021. É pouco, mas a atual proposta é menos indecorosa do que a primeira feita à categoria, com reposição salarial de 2,70%, abaixo da inflação.

Possibilidade de greve

Os eletricitários reprovaram a proposta de Acordo Coletivo de Trabalho da Energisa durante assembleia realizada pelo Sinergia-MS (Sindicato dos Trabalhadores na Indústria e Comércio de Energia) na última segunda-feira, 14. Não está descartada a deflagração de greve caso a companhia não reveja os índices propostos, conforme informou Elvio Vargas, presidente do sindicato, ao jornal Midiamax.

“A reprovação da categoria é mais que justificada, pois as propostas são absolutamente incoerentes com os resultados financeiros registrados pela empresa em Mato Grosso do Sul”, afirmou o sindicalista.

Redução de custos

A categoria reclama ainda que a Energisa foi a primeira empresa do setor a se beneficiar com a MP 936 (posteriormente convertida na Lei 14.020/2020), com redução ou suspensão de jornada e alteração de salários. Elvio Vargas estima que aproximadamente 20% dos 1,5 mil trabalhadores da concessionária foram incluídos nos acordos da MP 936.

“Houve redução dos custos da empresa, especialmente com pessoal, que diminuíram 10,2% no período de janeiro a setembro de 2020. Saímos de um custo de R$ 300 milhões para R$ 268,69 milhões, economia para a empresa de R$ 32 milhões”, explicou a economista e supervisora técnica do Dieese em Mato Grosso do Sul Andreia Ferreira.

Reivindicações

As principais reivindicações dos eletricitários são ganho real, pagamento de 100% das horas extras, manutenção e ampliação dos direitos adquiridos, segurança alimentar (reajuste diferenciado nos tíquetes), e PCS justo, transparente e igualdade de oportunidades.