Mortos na fila da UTI na Capital já somam 67 em junho
24, junho 2021 . 19:01

Mortos na fila da UTI na Capital já somam 67 em junho

Marquinhos Trad havia garantido que nenhum campo-grandense morreria por falta de leitos

Números da Central de Regulação da prefeitura mostram que 67 pessoas morreram nas UPAs, vítimas da Covid-19 em Campo Grande, do dia 1º de junho até a data de ontem, 23, na fila de espera por vagas em leitos de UTIs na rede hospitalar.

A crise sanitária na Capital está fora de controle. Ao mesmo tempo em que flexibiliza medidas de prevenção ao contágio, o prefeito Marquinhos Trad admite não ter a prefeitura condições de evitar e por fim a festas clandestinas e aglomerações, justamente as principais causas do recrudescimento dos casos de infecção, conforme ele próprio alega.

O prefeito de Campo Grande Marquinhos Trad: muita fé e pouca ação (Reprodução Facebook)

Os dados da Central de Regulação desmentem promessa feita pelo prefeito Marquinhos Trad no dia 16 de junho no programa “O povo na TV”, apresentado por Tatá Marques, no SBT. “Campo Grande, nós estamos cuidando de vocês. Não vai morrer nenhum campo-grandense longe de um leito de UTI na minha cidade. Nós estamos monitorando pessoalmente. Nós temos leitos de UTI”, profetizou.

Com esse número de mortes, está mais do que provado que o prefeito faltou com a verdade na entrevista ao SBT e, além disso, não está cumprindo o compromisso anunciado de “monitorar pessoalmente” a situação, pois pela quantidade de óbitos é impossível não chegar à conclusão de que sobram doentes e faltam leitos na rede hospitalar.

Tempo na fila

Os números da Central de Regulação mostram ainda que paciente aguardou até 20 dias na fila a chance de sobreviver caso tivesse tido acesso a um leito de UTI. O pedido de vaga encaminhado pelos atendentes da UPA “Dr. Walfrido Arruda Coronel” ocorreu em 24 de maio. No dia 12 de junho, ainda na mesma unidade, o paciente não resistiu e veio a falecer.

Outros pacientes tiveram que aguardar até 13 dias por vagas que jamais surgiram, como foi o caso de P.L.M., O.O. e M.E.M., que faleceram em 16 de junho, justamente na data em que Marquinhos Trad foi à televisão brincar de Deus ao garantir que “não vai morrer nenhum campo-grandense longe de um leito de UTI na minha cidade”.

Os dados da Central de Regulação da prefeitura mostram, ainda, que todas as 67 pessoas que morreram vítimas da Covid-19 até a última quarta-feira residiam em Campo Grande.

Enquanto Marquinhos Trad tenta maquiar a dureza do número de óbitos por falta de leitos de UTI em Campo Grande, alterando por decreto a cor da bandeira de alerta na Capital, ao menos duas famílias a mais, em média, diariamente passam a prantear seus mortos.