Bolsonaro é acusado de crimes contra a humanidade pelo Parlamento Europeu

Nesta quinta-feira, durante uma audiência do Parlamento Europeu, o presidente Jair Bolsonaro foi criticado e apontado como responsável pela crise sanitária vivida no Brasil . Em sessão, deputados avaliam momento do país e enviaram questões para o embaixador do Brasil na União Europeia, Marcos Galvão. Porém, ressaltaram que a crise política acontece devido às escolhas do governo Bolsonaro. As informações foram apuradas pelo blog do Jamil Chade, do Uol.

Na Europa, o Brasil é visto como uma ameaça sanitária global . Enquanto em terras brasileiras, uma CPI da Covid está sendo desenvolvida para apurar as medidas do governo para enfrentar a proliferação do vírus. Encontro serve para acompanhar a repercussão da crise nacional e também questões internacionais.

A alemã Anna Cavazzini, eurodeputada do Partido Verde e vice-presidente da delegação do Parlamento Europeu para assuntos relacionados ao Brasil, foi uma das maiores críticas durante reunião. “O que ocorre no Brasil é uma tragédia. Mas poderia ter sido evitada e baseada em decisões políticas equivocadas”, declarou.

Ela questionou o fracasso em políticas voltadas para combater o vírus, pediu respostas em relação à morte de povos indígenas e se manifestou perguntando o que o governo pensa em fazer para combater a fome. “A covid-19 virou uma crise social, com pessoas indo para cama com fome. O que o governo vai fazer sobre isso?”, perguntou.

Ainda indagou querendo saber para onde vai o dinheiro enviado pela UE para o Brasil. “Se Bolsonaro nega a crise e coloca medidas que impedem a ação contra a pandemia, para onde é que o dinheiro vai?”, questionou.

Miguel Urban Crespo, eurodeputado do partido Podemos, foi ainda mais duro em suas críticas. “Bolsonaro declarou guerra aos pobres, à ciência, à vida e à medicina”, disse. De acordo com ele, a crise “tem causa política e tem um responsável”.

“Vamos dizer claramente: a necropolítica de Bolsonaro é um crime contra a humanidade contra o povo brasileiro. Hoje o Brasil é o epicentro da pandemia. O país tem 3% da população mundial, mas tem 12% das mortes e 10% dos contágio”, ressaltou. Em sua opinião, é uma “autêntica vergonha” a UE ainda desenvolver acordos comerciais com o Mercosul.

De acordo com um dos fundadores do partido Podemos, o país está “a ponto de um colapso” e a imunização corre em ritmo mais lento que sua capacidade. As leis do país que autorizam as empresas privadas a comprarem as doses da vacina também foi criticada. “Isso vai aumentar o preço das doses”.

Mudança no critério de vacinação 

Veronique Lorenzo, representante da Comissão Europeia intitulou a situação do Brasil como “dramática” e disse monitorar situação do país. Disse que a forma como a pandemia se encontra, irá moldar a relação com o país e deu indícios de que após os pedidos do Itamaraty, a UE mandará ajuda e tratamentos solicitados. 

Ainda ressalta que o sistema Covax, criado pela OMS para distribuir vacinas ao redor do mundo, deveria ser alterado e dar prioridades ao Brasil, pelo momento crítico enfrentado na pandemia. 

Socorro Gros, representante da Organização Pan-americana da Saúde, declarou que “pela primeira vez na história o sistema de saúde entrou em colapso” no país e disse que a segunda onda do novo coronavírus está tendo um efeito bem mais duro no território brasileiro.

“O pessoal médico está cansado. Mas o Brasil tem a capacidade de vacinar. O que precisa é de mais vacinas”. Segundo ela, o Brasil recebeu 1,2 milhão de doses das 3 milhões enviadas para as Américas. 

Ela destaca a taxa de mortos da região dando ênfase ao Brasil, por ter números mais elevados. São 172 mortes por 100 mil pessoas. “Estamos pedindo para que se revise os critérios (de distribuição de vacinas) para nossos países para receber mais”, declarou.

A Covax envia para todos os países a mesma quantidade de doses, iniciando com uma quantidade para 3% de sua população e depois sobe para 10%. A UE, o Brasil e a OPAS já solicitaram que a distribuição considere os países mais afetados pelo vírus. A OMS, nesta semana, divulgou um novo cronograma de envio de vacinas e não acatou o pedido do governo em antecipar o envio dos imunizastes. Até junho, país irá receber cerca de 10 milhões de doses.

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