Covid-19: Marquinhos Trad coloca em risco trabalhadores da Saúde

Prefeitura vem distribuindo aos enfermeiros máscaras de TNT não recomendadas pela Anvisa

A incompetência do prefeito Marquinhos Trad e de sua equipe no encaminhamento de processos para a aquisição de máscaras cirúrgicas para equipar os trabalhadores que estão na linha de frente no combate ao coronavírus, continua colocando em risco a saúde desses profissionais. Isso porque a prefeitura de Campo Grande está distribuindo ao pessoal da enfermagem máscaras confeccionadas a base de TNT cuja utilização não é recomendada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa.

O decreto que estabeleceu estado de calamidade pública em Campo Grande passou a valer no dia 14 de abril. Hoje, 30 dias depois, o prefeito Marquinhos Trad ainda patina para solucionar questões básicas como a disponibilização de máscaras cirúrgicas eficazes aos trabalhadores da área da Saúde.

Marquinhos Trad entrega pessoalmente cesta de alimentos a carentes: populismo sem máscara (Foto: Arquivo)

MPE apura compra de máscaras

A tentativa de aquisição emergencial de 1,4 milhão de máscaras de uma empresa que seria de Aquidauana não deu certo, pois segundo a prefeitura, o produto apresentado era de qualidade inferior às especificadas no edital de licitação e a compra foi cancelada. O caso foi parar na 29ª Promotoria de Justiça do Patrimônio Público, onde é investigado pelo promotor Adriano Lobo. Com isso, perdeu-se um tempo precioso no processo de compra do produto.

Antes disso, porém, não faltaram publicações nas redes sociais dando conta do suposto superfaturamento na compra do material, situação rechaçada de imediato pelo prefeito Marquinhos Trad, que anunciou ter recorrido à Justiça para punir as pessoas que estavam espalhando, conforme ele próprio classificou, “diversas fake news” sobre o assunto.

Incapacidade administrativa

O estado de calamidade pública decretado em Campo Grande permite a simplificação e agilidade nos processos de compra, justamente para que seja vencida a burocracia. Mesmo amparado pela legislação e com dinheiro disponível, o prefeito Marquinhos Trad não consegue solucionar o problema da falta de equipamentos de proteção individual (EPIs) e continua a distribuir máscaras TNT – não recomendadas pela Anvisa – aos profissionais da saúde.

A situação de risco a que está exposto o pessoal da enfermagem levou o Conselho Regional da classe a ajuizar ação coletiva contra a prefeitura.

Na peça a entidade denuncia a entrega aos enfermeiros, pelo municípios, de máscaras no padrão TNT, pede que seus representados sejam ressarcidos financeiramente caso tenham que arcar com recursos próprios para a compra do EPI e que seja determinado ao município que este se abstenha de exigir que os enfermeiros trabalhem sem o fornecimento dos equipamentos de proteção individual, até o devido fornecimento, ou a aquisição pelos mesmos.

Intervenção do MPE

Para tentar encontrar solução para o problema, a promotora de Justiça Filomena Fluminhan realiza esta semana a terceira reunião envolvendo a prefeitura e o Sindicato dos Trabalhadores Públicos em Enfermagem, cujo presidente, Angelo Macedo, não descartou a hipótese de paralisação da categoria se o problema persistir.

“Na segunda reunião com o MPE e o sindicato, representante da Secretaria Municipal de Saúde apresentou máscara cirúrgica feita em SMS, que atende as recomendações da Anvisa. Esse material está sendo produzido pela prefeitura”, disse o sindicalista à rádio CBN. No entanto, os profissionais em saúde continuam recebendo produtos confeccionados com material TNT.

Atualmente, 25 profissionais da saúde foram afastados por conta de terem sido contaminados pela Covid-19. Desse total, 1 óbito foi registrado. Quatro enfermeiros ainda estão com o vírus. Dois deles estão internados e dois encontram-se em isolamento familiar.

“Vamos para a terceira reunião para resolver de vez isso, pois independente de tudo o que conversamos, a assistência continua, 24 horas. Não podemos alongar essa situação, e se a prefeitura não tiver condições de fornecer a máscara correta, necessária e segura, teremos que convocar a paralisação da categoria”, reforçou Angelo Macedo em reunião com o MPE e gestores.

Populismo sem máscara

Em paralelo, Marquinhos Trad impulsiona sua candidatura à reeleição por meio de aparições públicas midiáticas e irresponsáveis entregando cestas de alimentos às famílias carentes – como se a prefeitura não tivesse pessoal para cumprir essa tarefa –, colocando em risco não apenas a sua saúde como também a dos beneficiários dessas ações sociais ao negligenciar o uso correto de máscara cirúrgica.

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