Covid: Marquinhos Trad instala túneis de desinfecção prejudiciais à saúde

Não recomendados pela Avisa, equipamentos doados pela Plaenge tiveram de ser retirados dos terminais de ônibus

Na ânsia de mostrar serviço e atrair holofotes, o prefeito Marquinhos Trad pagou mico nesta segunda-feira e ainda envolveu a construtora Plaenge na patetada após ser informado de que os túneis de desinfecção instalados nos terminais do transporte coletivo da Capital, além de ineficazes, também podem colocar em risco a saúde da população. Por conta disso, os equipamentos tiveram de ser desinstalados às pressas.

A mais recente bola fora do prefeito foi anunciada na sexta-feira passada como mais uma arma no combate à transmissão do coronavírus. Trata-se de tuneis de desinfecção que borrifam ozônio nas pessoas. O equipamento, produzido pela empresa B3Bauru, de Bauru (SP), informa que o túnel tem um sistema que pulveriza ozônio umedecido para atingir a parte superficial do corpo, como roupas, acessórios e calçados.

Equipamentos borrifam ozônio no passageiro para desinfetar roupas e calçados (Foto: Kísie Ainoã/CG News)

Segundo as explicações, é preciso que a passagem seja de forma contínua, por cerca de 10 a 15 segundos, para garantir a eficácia da aplicação. No entanto, nota técnica da Anvisa publicada no dia 7 de maio alerta que produtos químicos, com exceção do ozônio, foram aprovados para desinfecção exclusiva de superfícies, não de seres humanos.

Dez dias depois do alerta, Marquinhos Trad e sua equipe ignoraram a nota técnica  – ou talvez pela pressa não tenham tido conhecimento a respeito da mesma –, instalaram e ativaram o equipamento no ultimo sábado, 16 de maio, no Terminal Morenão. As outras unidades foram instaladas no final de semana e também hoje nos terminais Guaicurus, Bandeirantes, Júlio de Castilhos e General Osório.

Nesta segunda-feira, porém, foram todos desinstalados, pois conforme a Avisa, entre os possíveis efeitos adversos estão reações alérgicas, irritação na pele, no nariz, na garganta e no trato respiratório, além de bronquite, dentre outros males à saúde.

A agência informou que não encontrou evidências científicas, até o momento, de que a borrifação de ozônio seja eficaz no combate ao novo coronavírus. Segundo a Anvisa, a duração do procedimento, entre 20 e 30 segundos, não seria suficiente para garantir o processo de desinfecção. A instituição alertou ainda que o sistema não inativa o vírus no corpo humano.

Insistência

O secretário municipal de Governo e Relações Institucionais, Antônio Cézar Lacerda, informou hoje que o município encomendou estudos para Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) e Vigilância Sanitária para ampliar as opiniões sobre a eficiência da câmara de desinfecção. O estudo deve ser finalizado até amanhã, segundo ele.

Lacerda admitiu o alerta da Anvisa sobre os efeitos colaterais da medida, e apontou a possibilidade de transferir os túneis dos terminais para hospitais, “onde os profissionais da Saúde estariam com vestimentas que protegem a pele”.

A agência nacional detalha que é possível o uso de saneantes para profissionais de saúde, desde que tenham a eficácia testada e que estes trabalhadores usem EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) que impeçam o contato do produto químico desinfetante com pele, olhos e mucosas.

Os equipamentos não geraram custos para o município, segundo Lacerda. A Construtora Plaenge entrou como parceira no projeto e deve ter arcado com os custos. Felizmente, a população conseguiu sair incólume de mais essa lambança da administração municipal.

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