Crivella diz que Rio ”dominou pandemia” e já calcula volta à normalidade

O prefeito Marcelo Crivella disse ontem que considera que a pandemia do Covid-19 está dominada na cidade. O prefeito argumentou que começa a existir uma redução de casos no Rio e já se sente relaxado o bastante para, assim que der, dar um mergulho no mar, o que ele não faz desde que assumiu o cargo em 2017.

O processo de volta à normalidade, no entanto, pode levar ainda tempo. Na hipótese mais otimista, pelo menos 75 dias a partir do momento em que setores da economia forem sendo reabertos, segundo técnicos da própria prefeitura:

“Nós hoje dominamos a pandemia. No sentido que previmos todas as ondas. Não tivemos o caos, graças ao bom Deus. A saúde estadual teve algumas dificuldades. Esta semana chegam mais equipamentos que poderemos ceder a outras unidades, inclusive privadas. Cabe lembrar que os leitos do Rio de Janeiro não são da cidade, mas da Região Metropolitana do Rio”, disse Crivella.

O assessor especial da Casa Civil, Alexandre Campos, diz que quinzenalmente são feitas avaliações sobre o comportamento da doença para decidir sobre aberturas progressivas de serviços: “A gente está falando se tudo der certo, de 75 dias se o mundo for perfeito a partir do dia em que o processo de reabertura começar. As avaliações sobre a evolução dos casos têm que ser feitas a cada 15 dias. Estamos falando de cinco ciclos”.

A secretária municipal de Saúde, Beatriz Busch, diz que começa a perceber uma redução na demanda por atendimento de pacientes do Covid -19 nos hospitais da prefeitura.

“A gente começa a perceber a diminuição de demanda. As pessoas não tem ido mais tanto às UPAS. Esse é o dado mais fidedigno que temos. Estamos construindo protocolos para todas as atividades. O que não quer dizer uma abertura imediata. O fato é que não aconteceu o colapso como se imaginava há 15 dias”, disse Beatriz Busch.

A decisão do prefeito Marcelo Crivella de liberar atividades em igrejas e templos religiosos vai na direção contrária do que o Comitê Científico, convocado pela própria prefeitura, havia recomendado no último sábado. Dois médicos que estiveram no encontro com o prefeito afirmaram ao GLOBO que ficaram “surpresos” ao terem conhecimento do novo decreto.

O presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio (Cremerj), Sylvio Prozano, e o professor da UFRJ Celso Ramos explicaram que o comitê recomendou a continuidade das proibições de eventos que causam aglomerações, e o caso da igreja foi justamente usado como exemplo do que não deveria ser liberado, devido ao seu alto potencial de se transformar em vetor de contágio. Segundo eles, em nenhum momento o prefeito havia feito menção à possibilidade dessa flexibilização.

O comitê é formado por especialistas, como médicos, epidemiologistas, economistas e matemáticos, além de Crivella e integrantes da prefeitura. A última reunião, no sábado, que terminou dividida em duas sessões, foi convocada após o prefeito ter se reunido com o presidente Jair Bolsonaro e também ter recebido, por parte de representantes de setores econômicos, sugestões de planos de abertura gradual de atividades.

Membros do comitê fazem cálculos contínuos sobre reprodução do Covid-19 na capital e, há 10 dias, o prefeito anunciou que houve queda na velocidade de contágio. Entretanto, os médicos explicaram que esse ritmo de transmissão, mesmo em queda, ainda está distante do ideal, usando por exemplo o parâmetro na Europa quando atividades foram liberadas.

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