Marquinhos Trad faz súplica por cloroquina e politiza crise da covid-19

Prefeito enganou até o presidente Bolsonaro, pois sabia que o medicamento está disponível na SES

O prefeito de Campo Grande Marquinhos Trad conseguiu se superar mais uma vez no comportamento populista que vem adotando desde o início da pandemia do novo coronavírus. Ao politizar a crise sanitária, ele enganou até o o presidente Jair Bolsonaro ao “implorar” pelo envio de cloroquina à Capital, como se aqui o medicamento tivesse em falta.

O presidente atendeu ao “apelo” do prefeito e enviou 10 mil comprimidos. Marquinhos Trad não precisava chegar a tanto. Bastava pedir os medicamentos à Secretaria Estadual de Saúde, que tem em seu estoque mais de 120 mil comprimidos de hidroxicloroquina 400 mg e de cloroquina 150mg, volume, portanto, muito maior do que o que foi “doado” pela Presidência da República.

O prefeito Marquinhos Trad: populismo com a crise (Foto: André de Abreu/Topmídia News)

Aliás, é bastante improvável que o prefeito não tivesse essa informação, já que seu secretário municipal de Saúde está em contato permanente com as autoridades sanitárias estaduais. Além disso, Marquinhos anunciou ainda em abril, há 3 meses, a inclusão do medicamento no protocolo de atendimento nos hospitais credenciados pela prefeitura em Campo Grande. Pelo jeito, era apenas discurso, pois do contrário o remédio já teria sido providenciado.

Pedido dos médicos

No início desta semana, Marquinhos Trad deu aval para a equipe de saúde colocar em prática sugestão feita por grupo de 250 médicos para implantação na cidade de tratamento preventivo da covid-19 com três grupos de medicamentos.

São eles a hidroxicloroquina 400mg ou cloroquina 250mg, Azitromicina 500mg ou Claritromicina 500mg e ainda a Ivermectina 6mg, utilizada em vermífugos. Não há nenhuma garantia de que a utilização desses medicamentos melhore a qualidade de vida das pessoas infectadas pela covid-19.

Há muita controvérsia e a Organização Mundial de Saúde e também os Estados Unidos já descartaram o uso da cloroquina, que provoca mais riscos do que estabilidade à saúde dos pacientes. Mesmo assim, Marquinhos Trad atendeu aos apelos do grupo.

Estoque da prefeitura

O que os médicos talvez não sabiam é que ainda em abril o prefeito já havia incluído a cloroquina como uma das formas de tratamento para o coronavírus na Capital.

“Temos um estoque e já estamos com ata pronta para que, caso necessário, adquirir mais doses, afirmou o prefeito em entrevista ao jornal Midiamax no dia 4 de abril. É bastante provável que Marquinhos Trad, também naquela ocasião, faltou com a verdade. Ou o estoque de então acabou ou a “ata” para a compra de mais unidades jamais existiu, pois do contrário não teria que “implorar” ao presidente Bolsonaro pelo envio do medicamento.

Sem uso no planeta

“A hidroxicloroquina não tem comprovação científica [de que seja eficaz na profilaxia ou tratamento de estágios iniciais da covid-19], por isso ela não é utilizada em lugar nenhum do planeta. Todavia, em composição com zinco, ivermectina, vitamina D e azitromicina, segundo grupo de médicos, há uma possibilidade muito boa de prevenção, razão porque eu não estou entregando kit prevenção aleatoriamente ou distribuindo”, reforçou o prefeito ao jornal Campo Grande News.

O medicamento só poderá ser usado com receita médica e com autorização do paciente ou familiares.

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