“Líder populista quer própria regra para disputar eleições”, diz ministro Fachin
22, julho 2021 . 17:30

"Líder populista quer própria regra para disputar eleições", diz ministro Fachin

Em meio à polêmica sobre a implementação do voto impresso para as eleições de 2022, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin disse nesta quinta-feira que não é de se espantar um “líder populista” que “queira suas próprias regras para disputar as eleições”.

A afirmação foi feita pelo ministro durante evento organizado pela organização Transparência Eleitoral e ocorre após manifestações de Jair Bolsonaro dizendo que sem voto impresso não haveria eleições.

O ministro do STF Edson Fachin (Nelson Jr/STF)

“No Brasil de hoje não é de se espantar que um líder populista se recuse a obedecer as regras vigentes, que queira suas próprias regras para disputar as eleições e que se recuse a ter seu legado escrutinado pela sociedade no bojo de uma eleição política. É disso que se faz a democracia, de eleições periódicas”, disse Fachin, sem citar nominalmente o presidente Jair Bolsonaro.

O ministro, que presidirá o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a partir de fevereiro de 2022, também classificou o voto impresso de “pernicioso, antieconômico e ineficaz”.

O voto impresso é uma das principais bandeiras de apoiadores e do próprio presidente Jair Bolsonaro. Sem apresentar provas, ele faz reiteradas acusações de fraude nas eleições realizadas com as urnas eletrônicas.

Fachin também afirmou que “em paralelo à defesa inflamada de um novo método de votação, eis que há governantes que querem mudar as regras ao invés de obedecê-las” e que “tudo isso se assenta em acusações de fraudes vazias de provas e sem respaldo na realidade”.

“Há um designo indisfarçado com três grandes objetivos: a exclusão do pensamento divergente, o enfraquecimento dos mecanismos de monitoramento social e do sistema de freios e contrapesos, e o descredenciamento das eleições como termômetro acurado da arbitragem social”, apontou o ministro.

A palestra de Fachin foi realizada no mesmo dia em que o jornal O Estado de S. Paulo publicou reportagem sobre a ameaça que teria sido feita pelo ministro da Defesa, condicionando as eleições de 2022 ao voto impresso.

De acordo com a matéria, Braga Netto enviou o recado ao presidente da Câmara, Arthur Lira, no dia 8 de julho, por meio de um interlocutor que não teve o nome revelado.

O ministro da Defesa negou que tenha feito ameaças e afirmou que a discussão e a decisão acerca do voto impresso cabem exclusivamente ao Congresso Nacional, onde uma PEC tramita.