Ministro Sérgio Moro deixa o governo Bolsonaro

Essa é a segunda maior baixa no governo do ex-capitão em menos de 10 dias

O ex-juiz federal Sergio Moro anunciou há pouco em coletiva de imprensa que pediu exoneração do cargo de ministro da Justiça e da Segurança Pública do governo de Jair Bolsonaro. A gota d’água na relação entre o magistrado e o presidente foi a troca do diretor-geral da Policia Federal, cujo processo teve início nesta sexta-feira com a exoneração de Maurício Valeixo.

O ato de exoneração de Valeixo foi publicado na edição de hoje do Diário Oficial da União, e apesar de aparecer o nome de Sérgio Moro, este não assinou o documento, que contou com a assinatura apenas do presidente Jair Bolsonaro. Moro foi surpreendido, disseram assessores.

Maurício Valeixo era o braço-direito de Sérgio Moro no Ministério da Justiça. Delegado de Polícia, ele atuou na Operação Lava Jato.

Ao anunciar a sua saída do ministério, Moro lamentou tomar a decisão “num momento como este, em que mais de 3 mil brasileiros já perderam a vida por conta da Covid-19. Tentamos evitar, mas foi inevitável”. Ele lembrou que quando foi convidado a assumir o posto recebeu de Bolsonaro a garantia de que teria total liberdade para atuar, incluindo aí autonomia para nomear assessores. A promessa, como se percebe agora, não foi cumprida pelo presidente.

Ele disse ainda que mesmo no governo anterior, do PT, “apesar de vários membros estarem sendo investigados, em nenhum momento houve interferência nos trabalhos da Polícia Federal”. Moro destacou que “o presidente [Bolsonaro] me quer mesmo fora do cargo”.

Motivos – Segundo o jornalista Gerson Camarotti, da Globo News, aliados do presidente Jair Bolsonaro demonstraram surpresa com a decisão dele de mudar o comando da Polícia Federal. Atribuem a atitude ao chamado “modo desespero”, que surgiu depois de o Supremo Tribunal Federal (STF) ter autorizado a investigação sobre protestos contra a democracia.

A investigação, pedida pela Procuradoria Geral da República (PGR), será conduzida pela Polícia Federal.

O ministro do STF Alexandre de Moraes acolheu o pedido de inquérito para investigar a organização e o financiamento de manifestações. Os atos pediram o fechamento do Congresso Nacional e do STF, intervenção militar e a volta do AI-5. O inquérito está sob sigilo, mas sabe-se que deputados federais são suspeitos.

Bolsonaro participou de uma dessas manifestações, no domingo (19), mas não está incluído no pedido de inquérito. Na decisão, Moraes qualificou as manifestações relatadas pela PGR como fato gravíssimo porque atentam contra o estado democrático de direito e as instituições republicanas.

O temor de aliados do presidente é que a investigação da Polícia Federal possa chegar a aliados do presidente. A PF apura desde o ano passado a disseminação de ofensas e ameaças ao STF, o chamado “inquérito das fake news”. A nova apuração pode incorporar fatos já investigados nesse inquérito.

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