Como a pandemia afetou a saúde mental de crianças e jovens?
14, junho 2022 .
18:35

Como a pandemia afetou a saúde mental de crianças e jovens?

Relatório da UNICEF indica ansiedade, medo e depressão entre os principais impactos

Medo de contágio, dúvidas em relação ao controle da doença e incertezas no que se refere ao futuro são aspectos que afetaram de maneia significativa a população global, nos últimos dois anos, em virtude da Covid-19. A pandemia tem deixado sequelas e potencializado problemas já existentes, sobretudo, entre os mais jovens.

“Os impactos na saúde mental nas crianças e adolescentes são ainda indefinidos, estudos já confirmaram um aumento dos distúrbios relacionados à ansiedade, depressão e suicídio em indivíduos com idade inferior a 20 anos”, afirma Ricardo Santos de Oliveira, neurocirurgião pediátrico.

Segundo relatório divulgado pela UNICEF “Situação Mundial da Infância 2021: Na minha mente: promovendo, protegendo e cuidando da saúde mental das crianças”, estima-se que, em escala mundial, mais de um em cada sete adolescentes com idade entre 10 e 19 anos vivam com distúrbio mental diagnosticado e quase 46 mil adolescentes morrem anualmente de suicídio, uma das cinco principais causas de morte neste grupo etário.

Sequelas cognitivas também podem afetar crianças e adolescentes após contato com o coronavírus. Apesar deste grupo ter sido menos impactado pela doença e, consequentemente, as lesões cerebrais associadas a perda de memória terem ocorrido de forma menos significativa – se comparada aos adultos – é comum o surgimento de transtornos mentais, incluindo déficit de atenção com hiperatividade (TDAH), autismo, sintomas bipolares, déficit intelectual, transtornos alimentares e até esquizofrenia no pós-Covid.

Além disso, o isolamento social e o distanciamento do ambiente escolar prejudicaram no processo de aprendizagem e no desenvolvimento da fala e da linguagem das crianças, sobretudo, na faixa etária de até 2 anos.

A pandemia também acentuou os problemas relacionados à exposição das crianças e jovens aos dispositivos digitais e, consequentemente, a internet, por causa das aulas a distância.

“Esta superexposição traz consequências ainda não totalmente compreendidas tais como; ansiedade, privação de sono, agressividade, indiferença, controle emocional, entre outros”, revela Ricardo Oliveira.

Para o neurocirurgião, o problema não está nos aparelhos eletrônicos e, sim, na ausência de práticas que estimulem o desenvolvimento cognitivo e motor das crianças fora de casa.

“Jogar bola, andar de bicicleta e outras brincadeiras são fundamentais para a criatividade. Quando uma criança brinca, ela faz uso de operações cerebrais que garantem noção operatória de tempo, espaço e causalidade, entre outros”, conclui.