Puberdade precoce: os sinais, as consequências e o tratamento
16, dezembro 2021 . 12:30

Puberdade precoce: os sinais, as consequências e o tratamento

Cerca de 150 mil casos são registrados por ano no país e maioria não tem causa conhecida

A puberdade é caracterizada pelas transformações biopsicossociais que caracterizam a transição da infância para a vida adulta. Normalmente, esse processo se inicia entre 8 e 13 anos de idade nas meninas e entre os 9 e 14 anos nos meninos.

Entre as transformações típicas da fase, é possível observar a aceleração do crescimento, o surgimento de pelos de forma mais intensa e o desenvolvimento genital. Se esse processo ocorre antes dos 8 anos em meninas e antes dos 9 anos em meninos, condição conhecida como puberdade precoce, pode haver consequências.

O pediatra do Hospital Brasília unidade Águas Claras Mário Carpi explica que a condição não possui causa definida e que cerca de 90% dos casos geralmente são caracterizados por causa idiopáticas, quando não é possível estabelecer a causa da puberdade precoce mesmo após a realização de diversos exames.

Os outros 10% dos casos geralmente são explicados por tumores que se instalam próximo da hipófise, glândula localizada na base do cérebro que produz os hormônios responsáveis pelo desenvolvimento infantil. Desta forma, instigam a puberdade precoce. Nesses casos, o tratamento é relizado cirurgicamente.

Entretanto, uma série de condições vem sendo relacionadas a esses casos, tais como a obesidade, consumo de alimentos hipercalóricos e até mesmo a exposição a estímulos visuais inadequados para a idade. Entretanto, mesmo esses fatores não estabelecem uma relação de causa e efeito com a puberdade precoce.

Nessas situações, o tratamento é realizado pelo endocrinologista pediátrico e consiste em medicamentos injetáveis que bloqueiam a ação de certos hormônios até o momento em que o corpo deve passar pelas transformações da puberdade.

Uma das consequências mais comuns da puberdade precoce é a baixa estatura. “Como a fase que chamamos de “estirão de crescimento” ocorre mais cedo nessas crianças, elas logo se tornam mais altas que os colegas. Porém, elas não chegam ao seu potencial máximo pois esse período de crescimento dura menos tempo que nos casos em que a criança se desenvolve normalmente. Isso faz com que, em algum momento, essa criança seja ultrapassada pelas demais. Além dos efeitos na estatura, as alterações comportamentais que a criança apresenta podem ocasionar em conflitos psicológicos, aumentando as chances de desenvolvimento de transtornos como a depressão e a ansiedade”, completa o pediatra.

Para prevenir a condição, o especialista afirma que o acompanhamento médico periódico é essencial para avaliar o crescimento da criança em cada fase. Caso necessário, o profissional indicará exames que permitam averiguar a evolução hormonal da criança.

“Além do acompanhamento de rotina com o pediatra, a manutenção de hábitos alimentares saudáveis e de uma rotina fisicamente ativa são práticas que podem evitar não apenas a puberdade precoce como também diversos outros problemas de saúde”, finaliza.