Pesquisa de satisfação da Cassems irrita beneficiários nas redes sociais

IPR mostra que 93% dos clientes aprovam mudanças na área de otorrinolaringologia

O resultado de pesquisa encomendada pela Cassems que aponta aprovação de 93% dos beneficiários do plano de saúde com relação às mudanças na sistemática de atendimento na área de otorrinolaringologia virou alvo de severas críticas, ironias e muita irritação nas redes sociais.

O levantamento foi feito pelo Instituto de Pesquisa Resultado – IPR apenas oito dias após o início das atividades dos cerca de 15 médicos importados de outros Estados para prestar atendimento ambulatorial, em regime de plantão, aos mais de 200 mil beneficiários da Caixa em todo o Mato Grosso do Sul que antes eram atendidos por 53 profissionais.

De acordo com material publicado pelo médico Ricardo Ayache, presidente da Cassems em seu perfil no Facebook, 93% dos beneficiários aprovam o atendimento na rede própria da Cassems, em ambulatórios, enquanto que 73% “não só aprovam o novo serviço, como afirmam que o atendimento melhorou”. O levantamento do IPR foi feito apenas na Capital. Não foi divulgado o número de beneficiários consultados.

Lapso temporal – O curioso é que o levantamento foi feito em período de tempo bastante reduzido. O atendimento ambulatorial teve início no dia 27 de agosto e a pesquisa foi feita nos dias 4, 5 e 6 de setembro, ou seja, até o dia 3, véspera da coleta dos dados, foram apenas 6 dias úteis de atendimento, pois o CMDA funciona apenas de segunda a sexta-feira.

Para chegar a esses números, não se sabe quantos clientes foram entrevistados, mas é certo que nem todos os beneficiários concordam com os índices de “aprovação”. No interior do Estado, para se ter uma ideia da queda na qualidade dos serviços, as consultas podem ser agendadas, por telefone, em apenas nove municípios.

Questionamentos – Em comentário no Facebook, Ismael Almada Neto escreveu: “substituíram 50 médicos por 15 médicos que nem ao menos residem no MS, melhorou como?”. Já Edson Silva questionou: “que piada é essa? Descredenciaram vários profissionais, e meu histórico em outro? Como fica? Palhaçada, quero saber como vou concluir meus atendimentos futuros com meu otorrino”.

Em seu perfil pessoal no Facebook, Ricardo Ayache foi questionado pela beneficiária Cassia Staut, de Ivinhema. Ela diz que não existe atendimento eletivo no município, apenas em caso de emergência, em ambulatório São Francisco. Ela critica o fato de ter que se deslocar para outros municípios para ter acesso a exames.

Por sua vez, Agustinha Lamb diz acreditar que a pesquisa não condiz com a realidade. “Acredito que papel aceita tudo. Quem vai contrariar uma pesquisa?”, escreveu ela.

Entenda o caso – A Cassems rompeu de forma unilateral contrato de 15 anos com a Cooperativa dos Otorrinolaringologistas, em meios às negociações sobre os novos valores do contrato. Ricardo Ayache se justificou dizendo que a medida foi tomada por questão de economia, mas a verdade é que os mesmos R$ 650 mil mensais propostos pelos 53 cooperados estão sendo pagos aos cerca de 15 profissionais importados pela Caixa. A conta não fecha, portanto.

A queda ocorreu apenas na qualidade dos serviços prestados, e não nos valores descontados todos os meses dos salários dos servidores, o que seria o justo, pois se reduziu o número de médicos credenciados e foi substituído o atendimento nas clínicas e consultórios particulares por atendimento ambulatorial. Mesmo assim, a pesquisa do IPR mostra que 93% dos usuários da Capital “aprovam as mudanças”.

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